segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Estou cantando

















Estou cantando

e o canto faz palavras.
Não o tanto que a mente encanta,
mas o canto mesmo
e mais nada.

Estou cantando e assim escrevo.
Cada nota transpõe uma sílaba,
cada sílaba parada
é do esforço do canto
quando ele toca o ar.

Canto assim e a poesia venta,
as folhas balançam,
a borboleta voa,
a brisa bate e sustenta.

O instante se faz presente...

É o canto que canta,
Apenas o escuto baixinho
no meu centro,
Em meio a fogueira de antes de ontem,
um lápis que esqueci no canto da gaveta,
um trem vermelho que agora passa
entre o osso e a pele,
Aqui dentro.

Um comentário:

  1. Finalmente tirastes o lápis da gaveta e devolvestes ao mundo o poeta!

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